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  • Frantz Soares

Marcio Pizarro Noronha

Por Marcio Pizarro Noronha




Esta Mostra Coletiva de Pintores, com curadoria de Marcio Pizarro Noronha, Doutor em Antropologia e Doutor em História, pesquisador e docente na área de História e Teoria de Cultura Visual, na Faculdade de Artes Visuais, da Universidade Federal de Goiás, envolve os trabalhos de um grupo de artistas auto-denominado 4 X 4, o que inclui aqui Heloisa Maia, Frantz, Rosali Plentz e Julio Ghiorzi.


Estes quatro artistas caracterizam-se por trabalharem prioritamente ou quase exclusivamente com suportes bidimensionais, seja quando pintam, desenham, graficam, fotografam.


Nesta exposição temos trabalhos em MDF e em papel fotográfico de Rosali Plentz, obras em tela e papel de Frantz e Heloisa Maia e pinturas em chapas de alumínio e chapas de celulose (eucatex) de Julio Ghiorzi. Frantz é artista premiado na década de 1980 no Rio Grande do Sul e suas atividades como pintor resultaram em estágio de ateliê na Alemanha. Sua pintura tem um caráter expressivo, agressivo por vezes, sempre obsessivo em sua busca de um repertório limitado e explorável de gestos artísticos, que consiste, em deixar ao acaso e ao tempo o acontecer da pintura e ao artista o papel de elemento da corte. O olho do artista é como uma tesoura implacável.


Frantz utiliza telas que, um dia, foram e funcionaram enquanto paredes e pisos de seu ateliê e as obras resultam de um corte artístico - um olhar estético na produção caótica da sala de aula /Ateliê do artista.


Frantz olha para estes conjuntos aleatórios resultantes das marcas dos anos consumidos por professor e alunos e encontra ali a sua pintura.

Heloisa Maia trabalha com gestos automáticos e com a velocidade do acontecer na pintura. Maia inverte a ação temporal de Frantz, mas ao mesmo tempo procura, como ele, elementos visuais que funcionem enquanto linguagem e repertório. Maia conta histórias e encontra sua pintura no interior de um campo narrativo.


Ressalto nessa série de trabalhos recentes a linha vermelha- o fio condutor, o fio narrativo de Ariadne - e as transformações ocorrendo no registro da figuração do humano, com as mudanças da fisionomia, as faces em transição, na vertente do neo-expressionismo.


Rosali Plentz não conta histórias e tampouco faz de seu ateliê um lugar de passagem para o aleatório. Artista gráfica e desenhista, seu trabalho é sempre pela via do mínimo gesto. A pintura é passagem entre a preparação do meio e a escansão / o corte realizado pela artista no acúmulo matérico.


Júlio Ghiorzi, professor universitário na UFRGS, é artista premiado e um destaque do Sul e suas séries de cortesãos maneiristas-barrocos, suas bestas e fábulas em torno do reino animal, seus objetos emblemáticos- mesas e cadeiras são obsessões do artista - e suas paisgens entre o natural. O arquitetônico e o pós- humano, estão aqui reveladas e enriquecidas a partir de novos procedimentos técnicos e de novos suportes - pela experimentação da tinta esmalte sintética automotiva em chapas de alumínio bem como em chapas de eucatex. Os temas históricos e o tempo da longa duração, das flutuações de uma sensibilidade formal e, paradoxalmentre, melancólica, são colocados, todos á disposição de uma pintura de velocidade extrema, fazendo desta pintura de Ghiorzi uma reafirmação da técnica de pintura e um rico e dramático diálogo entre as dimensões do gesto automático de Maia e a aleatoriedade de Frantz.


Esta viagem no tempo e no gesto, combinaram-se com o esforço de seguir uma viagem no espaço e transformar esta Mostra em Projeto, com uma vocação para a itinerância, envolvendo ainda atividades de workshops e palestras. Desse modo, o projeto se inicia com as Exposições no Centro Cultural de São Francisco e no Centro de Cultura e Arte e deve continuar sua viagem pelo nordeste brasileiro e tendo como rumo o Centro-Oeste no ano de 2003.

Marcio Pizarro Noronha, curador (UFG - FAV)

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