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  • Frantz Soares

Exercicios de segmentação

Atualizado: 26 de ago.

Por Maria Amélia Bulhões

Ano de 1987

Texto para o convite da exposição Pinturas na galeria Macunaima



Frantz chamou minha atenção, desde seus primeiros trabalhos pela impulsividade de sua atuação, embora tivesse algumas duvidas sobre a possibilidade de levar adiante as suas propostas. Afinal, idéias impulsivas e originais costumam ser , no caso de artes plásticas, mercadorias de sucesso rápido e pouco duradouro, que respondem as exigências e novidades no mercado, sendo por ele rapidamente consumidas e descartadas.

No entanto, acompanhando de perto o seu trabalho, pude com satisfação, vê-lo superar este impasse que se coloca seguidamente para os novos artistas, quando entram do circuito de arte.

É bastante significativo o fato de Frantz dar-se conta desta contingência e expressá-la no próprio título de alguns de seus trabalhos: “Exercícios para um grande impasse”.

Com os exercícios, ele encontra sua resposta para esta problemática. E sua resposta é a pesquisa profunda e sistemática realizada no próprio fazer. Trata-se de um processo em que o fazer contínuo e persistente, aliado a uma experimentação ousada, vão amarrando e compondo a grande teia de significados que hoje encontramos em seu trabalho.

Partindo das “pichações” onde as palavras com seus significados eram centrais na comunicação plástica, Frantz foi aos poucos seccionando-as e, neste fazer, descobrindo novos significados, não mais verbais mas progressivamente pictóricos.

Nestes “exercícios de segmentação, ele encontrou o X, como grande tema em si. Adotando o X como ele mesmo diz, o X é utilizado para marcação, para anulação, sendo um símbolo que não exige contemplação.

Concomitantemente à manipulação dos significados deste símbolo, ele trabalha suas possíveis formas de expressão plástica, técnicas e materiais de execução. Como produto destas elaborações, Frantz nos apresenta trabalhos que têm como suporte a própria tinta, sendo ao mesmo tempo pinturas e objetos. Dobráveis, moldáveis, estas formas constituem brinquedos que atraem e imaginação e a inventividade do espectador.

Desta forma Frantz consegue preservar a espontaneidade e o lúdico de seus trabalhos iniciais das “pichações”, desenvolvendo-o, em seu processo de pesquisa, com todo sabor da inovação. Não a inovação inconseqüente de uma simples descoberta ocasional, mas a inovação que sabe guardar ao mesmo tempo a beleza da espontaneidade e do lúdico e a consistência que é fruto do trabalho permanente.

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