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  • Frantz Soares

Transversalidade

Atualizado: 25 de jul.

Exposição Farol Santander Porto Alegre

Curadoria André Severo

de 27 de julho a 30 de novembro de 2021

( a exposição encerraria em 31 de outubro mas foi prorrogada)





Transversalidade incandescente: o sensível nos conduz para fora da linguagem – imagem muda. Não se trata da falha da fala, da impotência das palavras; mas do vigor da iminência, da convicção do irresoluto, da asserção do mistério: colateralidade. O sensível nos projeta à dimensão da esfinge – fração parafactual do real –; e é nessa extensão que os acordos da linguagem sucumbem, naturalmente queimados pelo sopro de sua combustão espontânea. Condição do parentesco que não se estabelece de maneira linear – ou por descendência direta – as imagens expiram e renascem ao nos revelarem (melhor seria dizer nos fazerem vislumbrar) aquilo o que não nos é dado a ver. Característica ou estado do que se apresenta de modo oblíquo quando comparado a um referente, o sensível desvela muito mais do que o vazio do invisível: assim como o silêncio mais profundo é também uma fala, assim como a imobilidade verdadeira é também movimento, aquilo o que não se se mostra – senão como iminência – é a conjectura possível da potência (a prognose influente do concebível). O sensível não necessita da linguagem – a imagem nunca almeja as palavras –; é a língua que vai ao encalço do sensível na esperança de encontrar sustentação para os acordos inevitáveis do pensamento. O que enxergamos na imagem nada mais é do que aquilo o que permanece suspenso: o mundo irresoluto de nossos sentidos, todo o instante congelado, toda a matéria, toda a história, todos os nossos sentidos, o universo pendente no instante – sem espaço e sem tempo – do sensível. Característica das disciplinas que possibilitam compreender outras disciplinas (tendo sempre em conta as relações estabelecidas entre elas), o sensível – apesar de se apresentar sempre contingente, desfocado, obscuro, indistinto – não está nem exposto nem escondido; estamos, tudo e todos, reunidos na dimensão transversal do sensível. As imagens nos são reveladas não para que as decodifiquemos, mas para que, nelas, possamos projetar o que ali ainda não está; para que, através delas, não suprimamos por esquecimento aquilo o que ali já não está. Vislumbramos o sensível para que possamos ter acesso ao invisível: toda ação é cruzamento, interferência, influência, interpenetração e reciprocidade. Se a realidade está em tudo o que percebemos, isso significa que somos todos capazes de transformar transversalmente o mundo. O sensível é o iminente; o iminente é o mistério; e o mistério é incandescente – é uma luz extrema, esbraseante e vulcânica que jogamos, abruptamente, sobre nós mesmos e o mundo. Na imagem que podemos conjecturar do universal, o efeito é sempre capaz de modificar sua causa, que jaz, inexorável, nela própria – o sensível é incompreensível não porque ele nos ultrapassa; mas porque ele nos compreende: transversalidade incandescente. 

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