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  • Frantz Soares

X ao infinito

Revista WONDERFUL - Ano III . Nº 15 .


Por Guido Mazzi

Ano de 1991





Nos poucos espaços que usufruo neste magazine, pouco me reservam para desfiar as incontáveis receitas que recolhi pelo mundo. Sempre estão me solicitando tarefas sobre-humanas de lugares subumanos. Agora me exigem um, diremos, apanhado da vida e obra de um rio-pardense, o Frantz. Como foi que ele abandonou o doce delta do Jacuí, eu não sei. Chegou em Porto Alegre via fluvial? Pouco sabemos. Talvez isso não importe muito na vida de um artista plástico, a busca do tempo perdido. Como se corta uma coxa de carneiro à inglesa, Frantz começou a fatiar Porto Alegre lentamente com a sua “action paiting”, um delírio visual. Em transe de criação, o artista pinta telas no chão, circulando em torno, livremente. Eu já tentei alguma coisa parecida com essa técnica na culinária. Coloco o fogão no meio da cozinha, acendo todas as bocas com as panelas assentadas em cada fogaréu e, livremente também, começo a circular em torno delas de modo frenético. Confesso que, para minha surpresa, consegui resultados alimentícios surpreendentes. Uma prova que a “action paiting” não é coisa de louco. Pelo contrário, exige do artista um controle total dos materiais(ele) e dos temperos(meu caso). Outras provas do sucesso é o interesse dos alemães. Convidaram o Frantz para passar três meses em Kiel, norte da Alemanha, produzindo e comercializando seus quadros. Não conheço essa região, mas deve ter bons vinhos. Vinho de Kiel não me soa mal. Frantz, como todo artista que se preze, tem uma obsessão na vida: grafitar e pintar o “X”, infinitamente. A minha é sonhar obsessivamente com uma enorme língua a Von Gambrinus, ambas uma incógnita para os discípulos do Dr. Freud. A do “X” é mais fácil, já a minha ...

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